ReFLexÕEs: a CNV e O uNIveRso MaTErnO

Ao nos tornarmos mães um novo universo se descortina. Sentimentos, ansiedades, medos, sonhos, esperanças e desejos, que há bem pouco tempo não percebíamos ou valorizávamos, nos invadem com uma intensidade avassaladora. Algo de natureza humana profunda se descortina. E vem com potencial transformador, que algumas vezes desestabiliza, muda nosso eixo, impulsionando novos posicionamentos e reflexões. Junto a isso, a maternidade tem em seu cerne o ato de entregar-se profundamente. Poucas experiências nos aproximam tanto de nossa humanidade como o nascimento de um filho – um tipo de milagre sentir um novo ser vitalmente dependente de nós, que nos atrai , encanta e desafia.

De forma instigante, o psicólogo americano, Marshall Rosenberg, criador da Comunicação não –violenta (CNV),  nos diz que essa entrega mútua, do fundo do coração, não é um atributo da relação mãe-filho  ou de outra  relação específica, mas faz parte da natureza humana e poderia estar sempre presente. A CNV busca construir uma nova forma de expressão e escuta do outro.  Foi pensada para construir um tipo de comunicação que aproxime as pessoas ao invés de afastá-las.  Seu processo é bastante simples: diante de qualquer fato, nos convida a nos expressar honestamente por meio de quatro componentes: (1) observar, sem julgar; (2) identificar nossos sentimentos; (3) reconhecer nossas necessidades; (4) expressar um pedido para enriquecer a nossa vida. E também a receber, com empatia, a comunicação que vem do outro.

Assim, ao mesmo tempo em que a maternidade faz abrir uma Caixa de Pandora gerando  situações de impasse, de discordância, de afirmação e negação, de insegurança e impulsividade, também possibilita, por seu caráter visceral,  o desenvolvimento da capacidade de nos percebermos humanos, mesmo nas situações desafiantes. A experiência da maternidade e seus autoquestionamentos, desafios, aberturas e possibilidades é terreno fértil no qual a CNV pode emergir com mais espontaneidade.

Ao partir da atenção ao que se passa no nosso interior, a Comunicação não-violenta permite um universo de maior autenticidade com o outro e conosco mesmos, em um clima de respeito e crescimento mútuos, desarmados e inteiros para construir novas formas de relação humana quando o novo chega e se instala na presença de um filho, no nascimento de uma mãe.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s