Artigo no Blog Na Pracinha – Comunicação com Crianças

Corre lá no blog Na Pracinha para ler o texto que escrevi sobre Comunicação não violenta e afetiva com crianças (clique AQUI)

Quem quiser ouvir mais sobre o assunto, farei uma palestra sobre o tema que vou apresentar no INODUCAR, Congresso On line, na próxima quarta, 16 de setembro. Para se inscrever gratuitamente, clique AQUI.

Estarei no INODUCAR falando de Comunicação Não violenta e afetiva com crianças

 

Olás!

No próximo dia 16/09, quarta-feira, às 18h, estarei falando no Congresso On Line INODUCAR falando sobre Comunicação Não-Violenta e Afetiva com Crianças.

Para assistir basta clicar AQUI e se inscrever!

Será um alegria compartilhar com você!

A participação é gratuita.

Grande abraço e muita paz!

 

ReFLexÕEs: a CNV e O uNIveRso MaTErnO

Ao nos tornarmos mães um novo universo se descortina. Sentimentos, ansiedades, medos, sonhos, esperanças e desejos, que há bem pouco tempo não percebíamos ou valorizávamos, nos invadem com uma intensidade avassaladora. Algo de natureza humana profunda se descortina. E vem com potencial transformador, que algumas vezes desestabiliza, muda nosso eixo, impulsionando novos posicionamentos e reflexões. Junto a isso, a maternidade tem em seu cerne o ato de entregar-se profundamente. Poucas experiências nos aproximam tanto de nossa humanidade como o nascimento de um filho – um tipo de milagre sentir um novo ser vitalmente dependente de nós, que nos atrai , encanta e desafia.

De forma instigante, o psicólogo americano, Marshall Rosenberg, criador da Comunicação não –violenta (CNV),  nos diz que essa entrega mútua, do fundo do coração, não é um atributo da relação mãe-filho  ou de outra  relação específica, mas faz parte da natureza humana e poderia estar sempre presente. A CNV busca construir uma nova forma de expressão e escuta do outro.  Foi pensada para construir um tipo de comunicação que aproxime as pessoas ao invés de afastá-las.  Seu processo é bastante simples: diante de qualquer fato, nos convida a nos expressar honestamente por meio de quatro componentes: (1) observar, sem julgar; (2) identificar nossos sentimentos; (3) reconhecer nossas necessidades; (4) expressar um pedido para enriquecer a nossa vida. E também a receber, com empatia, a comunicação que vem do outro.

Assim, ao mesmo tempo em que a maternidade faz abrir uma Caixa de Pandora gerando  situações de impasse, de discordância, de afirmação e negação, de insegurança e impulsividade, também possibilita, por seu caráter visceral,  o desenvolvimento da capacidade de nos percebermos humanos, mesmo nas situações desafiantes. A experiência da maternidade e seus autoquestionamentos, desafios, aberturas e possibilidades é terreno fértil no qual a CNV pode emergir com mais espontaneidade.

Ao partir da atenção ao que se passa no nosso interior, a Comunicação não-violenta permite um universo de maior autenticidade com o outro e conosco mesmos, em um clima de respeito e crescimento mútuos, desarmados e inteiros para construir novas formas de relação humana quando o novo chega e se instala na presença de um filho, no nascimento de uma mãe.

O qUe A CheGAdA dO mEU PriMEirO fiLHo tEm a VeR CoM a CHegADa da CNV Em MinHA VidA

cnv

Venho escrevendo aqui sobre as transformações na minha vida e nas que observo na vida de muitas pessoas após o nascimento dos filhos.

São muitas mudanças, muitos desafios e muito crescimento.

Quem conhece a CNV e lê nas entrelinhas percebe claramente o quanto ela tem a ver com a minha percepção de paternagem e maternagem. Como um antigo professor me ensinou, ela faz parte do meu alicerce filosófico, a base sobre a qual vou construindo toda a minha busca de saber e leitura do mundo.

Conheci a CNV estando grávida do meu primeiro filho, em uma formação chamada “Gente que faz a Paz”, em um trabalho de Mediação de Conflitos que desenvolvi por muitos anos.

Isso foi especialmente significativo, porque olhar a vida e as relações sob uma perspectiva de fortalecimento de uma cultura de paz fez com que meu olhar para o papel de mãe e pai fosse fundamentado nessa perspectiva.

E a partir daí, estudando e buscando praticar a Comunicação Não-Violenta, fui percebendo  a cada dia o quanto ela está em sintonia com meus valores e minha trajetória.

Por isso, tenho desenvolvido trabalhos buscando compartilhar, compreender e fortalecer o uso da CNV nas relações familiares, especialmente na criação dos filhos.

E vou iniciar uma série de postagens aqui e em uma comunidade no facebook com essa temática (Comunicação Afetiva e não-violenta com crianças*), para que mais pessoas possam conhecer e experimentar a CNV em suas vidas e perceber o quanto ela pode ser transformadora. Bem vindos e boa leitura!

*https://www.facebook.com/groups/241182959425676/

As cRIanÇaS vIvEM nO PrEseNTe

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Tenho dois filhos que se amam profundamente, mas vivem brigando cotidianamente.

E, como mãe, sinto-me chateada e triste, pois adoraria que eles não brigassem.  E fico eu brigando com eles para eles não brigarem (!) Mas resolvi por alguns momentos dar uma parada e observar um pouquinho como eles se relacionam. E, como eu esperava, aprendi mais um pouquinho.

Sim, eles brigam e continuo não considerando isso legal: converso, explico, tento ajudá-los a expressar seus sentimentos de outras formas. Mas eu percebi que, com ou sem minha intervenção, em aproximadamente 5 minutos eles mudam o foco de interesse e estão brincando juntos, amorosamente, dando risadas e correndo pela casa.

Para mim, como adulta, é bastante difícil de entender. Como o mais velho, que acabou de dizer que não iria ‘nunca mais’ emprestar o brinquedo para a irmãzinha, pois ela não quis devolvê-lo na hora que ele pediu… , pouco tempo depois está brincando de pega-pega com ela? Como a menor, depois de um choro gigante, pois o irmão acabou expressando sua raiva a empurrando pra trás, após poucos minutos, corre dele alegremente pela casa, em fuga de brincadeira?

Quase incompreensível.  Mas, como sou viciada em reflexão, pois aprendi que experiência se constrói a partir da reflexão sobre as vivências pessoais, coloquei-me o desafio de entender.

E cheguei à conclusão, óbvia, mas difícil de enxergar com muitas obviedades, que as crianças pequenas conseguem ir do chão à lua em 5 minutos, no universo dos sentimentos, porque vivem absolutamente no tempo presente. Não importa o que passou, nem o que virá amanhã, vivem o agora, com toda sua intensidade de emoções, vontades, desejos de aprender, de se mostrar, de mostrar como pensam, o que querem, o que desejam. Não foram tolhidas ainda pelo verniz social e pelo ‘tenho responsabilidades’, que faz os adultos viverem muito mais pré-ocupados com o que está por vir do que com o que vivem no momento. Têm muito pouco tempo de vida ainda, que leva o passado ser um conceito meio sem sentido e o futuro algo que não as impressiona tanto ainda.

Talvez por isso nos incomode tanto o comportamento infantil: vivemos em tempos diferentes – elas, no presente, nós, no futuro ou no passado (ansiedade e depressão, costumam ter relação com isso…). E muitos de nós adotam como missão de vida cercear e adaptar a criança ao ‘mundo’, torná-la bem-comportada, não questionadora, quietinha e, se possível, que não se note sua presença no mundo adulto: sua presença espontânea e impertinentemente no presente pode ser muito incômoda e de péssimo tom.

É uma pena que com o tempo os adultos conseguem muito bons resultados em sua missão: as crianças internas se perdem, ficam os focos no futuro ou no passado, o presente passa cada vez mais rápido e cada vez menos se tem tempo suficiente para realizarmos tudo o que precisamos. O prazer pela vida e a fascinação por aprender a cada momento diminui, a capacidade de brigar, se desculpar e novamente se amar quase se extingue… Quanto mais convivo com crianças, mais percebo o tanto que a natureza é sábia por nos fazer nascer pequeninos.

Já prestou atenção à sua criança hoje?

a ViDa NãO é A mEsMa mESmIcE dEpOIs QuE sE tEm Um FilHo

Talvez quem não é mãe não compreenda, mas quem é vai entender. De fato, ser mãe (e para os pais que acolhem essa alegria, também) muda tudo e faz com que cada coisinha cotidiana que não dávamos muita importância  (na correria do dia-a-dia) se transforme. E isso parece uma mágica. Não sei responder exatamente por que isso acontece, mas suspeito que é pelo fato da criança que nasce nos fazer lembrar o tempo todo que o mundo é lindo e nos propicia descobertas e novidades a cada instante. E nos força a dar as explicações de coisas que nunca pensamos porque acontecem ou existem, enfim, nos exige refletir sobre o SENTIDO das coisas, pessoas e acontecimentos.

 Aprendemos (ou reaprendemos) a nomear, a olhar, a escutar. Isso nos torna uma via muito especial de apresentação do mundo para nossos filhos. E o que passarmos para eles será gravado profundamente… Daí decorre beleza, poesia e responsabilidade.

 As mães sábias, e espero conseguir ser uma delas, conseguem crescer com essa experiência e se tornar pessoas melhores. Isso é especialmente importante porque não tem jeito: ser mãe é pra sempre.

Além de ser ‘reapresentadas’ ao mundo, pelas perguntas dos pequenos, somos ‘reapresentadas’ a nós mesmas. Muitas vezes, os filhos são como espelhos, apontam diretamente para coisas que não gostaríamos de ver. Isso às vezes dói, às vezes assusta. Pra quem gosta de observar com carinho para si mesmo: surpreende e encanta. 

Por falar em encanto, ele sempre me acomete quando começo a refletir sobre a beleza dessa ‘ideia’ de Deus: fazer com que nasçamos crianças e altamente dependentes de alguém – dependentes não só para as necessidades físicas, mas sobretudo para as emocionais. Poderia ter sido diferente. A infância humana é muito longa comparada às outras espécies de mamíferos do planeta – isso sugere alguma importância.

Quase sempre pensamos na importância para a criança, ou melhor, para o adulto em que essa criança se tornará. Mas suspeito que o mecanismo Divino tenha mão dupla: cresce a criança, cresce o cuidador da criança.

Acredito que em toda relação há troca e mudança, e oportunidades para nos tornarmos melhores. Claro que essa equação muitas vezes tem aspectos funestos – muitas mães e pais sendo ainda crianças em suas ações, (des)cuidando de crianças que terão que lutar muito para conseguirem crescer. Acontece, e não é raro, infelizmente.

Mas por isso é que convido a essa reflexão. Na dificuldade cotidiana, no dia que termina estressante por inúmeros outros fatores, que haja uma forma de ver no nosso filho, que muitas vezes se apresenta com um desafio, uma oportunidade. E nesse ciclo, aprendemos todos, cuidamos todos de nossas arestas e podemos juntos buscar construir um mundo (um pouco) melhor. 

Nesse dia das crianças, a sugestão é tirar o foco do consumismo e por o foco na criança – nos nossos filhos e também na nossa criança interior – e sair para brincar, passear, curtir, com leveza e fascínio por cada momento de alegria, que só como crianças conseguimos ter em plenitude.

Concluo ficando na torcida para que todo dia possa ser “dia das crianças”…

dE rEpENte…40

Já ouvi a frase “A vida começa aos 40”. Pouco crédito dou.

Ora, a vida começa sempre que recomeça,

Que cada fazer novo se fortalece e nos fortalece junto

A vida pode começar  em todos e em qualquer dos minutos.

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Ainda estou com a sensação de que minha vida está começando aos 40.

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E tantas coisas novas acontecendo, tanto (re)nascimento dentro de mim mesma, que colaboram para essa conclusão.

E renascer já tendo filhos é um renascimento mágico, cotidiano, que nos fazer rever cada ação que fazemos, cada decisão que tomamos. Ser um já é difícil. Ser mais de um é algo altamente desafiante. E ser mãe/pai é um pouco disso: continuar sendo um, com a sensação que se multiplica nessas pessoas lindas que habitam nosso lar e nosso coração. E ser mãe é, muitas vezes, um encontro com a própria sombra, com o que há de mais profundo e oculto dentro de nós mesmos. Quem já leu Laura Gutman sabe do que estou falando. Ainda vou escrever um pouco mais sobre isso por aqui.

E é bom chegar aos 40 assim.

 

eSpeLHoS

Miro-me no espelho quando quero me ver
E olho e reolho, viro prum lado, retorno por outro
Abro a boca, arregalo os olhos
Me afasto, me aproximo
E me miro
Mas não me basta.
Ao mirar-me, quando consigo ver-me
Me espanto, me assusto, me alegro, me desespero
E vem aquela necessidade premente:
Mudar.
Mudarei algo em mim ou algo no espelho?
Invariavelmente só posso mudar a mim
Mas quando me mudo, surpresa:
não é que o espelho mudou outra vez?
Nesse dia de aniversário, refletindo que nossos filhos quando pequeninos são muitas vezes nossos mais profundos espelhos…

pRa CoMeÇo De CoNveRsA

“Eu apenas queria que você soubesse que aquela alegria ainda está comigo e que a minha ternura não ficou na estrada, não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse que esta menina hoje é uma mulher e que esta mulher é uma menina que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta que hoje eu me gosto muito mais porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora, é se respeitar na sua força e fé e se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse que essa criança brinca nesta roda e não teme o corte de novas feridas pois tem a saúde que aprendeu com a vida”

Peço emprestadas as palavras de Gonzaguinha para tentar traduzir, pelo menos um pouquinho, o momento de vida que venho passando e que quero muito compartilhar.

Essa música apareceu para mim em um momento muito especial, de profundo autoconhecimento e transformação, que foi desencadeando uma série de acontecimentos que foram me fazendo chegar ao que sou hoje.

E hoje, retomo essa canção para iniciar esse blog. Um blog que terá a cara da nova etapa que venho vivendo e há tempos pretendia apresentar e estabelecer laços e trocas.

A nova etapa começou há algum tempo, mas como marco escolho o dia de hoje: o meu aniversário de 40 anos. E, curiosamente, chego aos 40 repleta de INFÂNCIA.

Escolhi inaugurar esse blog para comemorar essa data querida, que eu estou amando.

E essa menina que virou mulher – e que tem gostado do que vê – vem escrever para contar que a mulher vem aprendendo muito com a menina que tem dentro de si sendo redescoberta.

E que essa mulher vem descobrindo que a sua menina recebeu de presente a companhia de duas outras crianças pequenas, Marcos e Luna, e de uma criança grande, o Vil, que ajudam a tornar cada vez mais claro que tem muita criança que faz adulto crescer.

Esse blog é pra refletir sobre vivências desse tipo.

E pra agradecer à vida por ter feito as coisas assim.

Feliz aniversário para mim.

Link da música no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=Q4H5x8ScDLs